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Projeto “Realidade Empreendedora” capacita microempreendedores

Em parceria com Instituto SYN, a Associação Aventura de Construir cria consultorias e formações para microempresários de baixa renda da periferia

A Covid-19 evidenciou ainda mais as diferenças sociais presentes no Brasil. Um levantamento realizado pela Central Única das Favelas (Cufa) em 76 favelas, com 2.087 pessoas, mostrou que cerca de 68% dos moradores não possuem dinheiro para comprar comida. Ao mesmo tempo, a pesquisa “Economia das Favelas - Renda e Consumo nas Favelas Brasileiras”, feita pelos institutos Data Favela e Locomotiva e encomendada pela Comunidade Door em 2020, apontou que há 13,6 milhões de pessoas morando em favelas e seus moradores movimentam R$ 119,8 bilhões por ano.

Com este cenário, fica evidente a necessidade de ter ações direcionadas para esse público e o empreendedorismo pode ser um caminho interessante para essas pessoas. A Aventura de Construir atua desde 2011 com o foco no desenvolvimento territorial inclusivo. “Apostamos no microempreendedor de baixa renda de periferia, que é o sujeito mais ativo dessas regiões, que pode gerar a maior mudança no território e nas comunidades”, afirma Silvia Caironi, fundadora e responsável pela Coordenação Geral da Instituição.

Realidade empreendedora

Em 2019, a Aventura de Construir começou a desenhar um projeto para desenvolver com o Instituto SYN focando no microempreendedorismo de baixa renda como um dos motores da economia. Com o nome de “Realidade Empreendedora”, ele tinha como base a capacitação e mentoria de empreendedores da periferia. No entanto, quando estava prestes a ser colocado em prática, em março de 2020, veio a pandemia.

“Num primeiro momento, suspendemos o projeto, por ter sido pensado em formato presencial, e passamos a trabalhar em casa. Fizemos um mapeamento com mais de 200 microempreendedores, acompanhando-os de perto nos primeiros 2 meses da pandemia (março-maio 2020) e identificando como ter acesso para ajuda emergencial, oferecendo apoio psicológico através de parceiros e, sobretudo, ajudando-os a escrever projetos para captação de recursos direta. Em dois meses, vimos que a situação deles mudou muito. Percebemos que colocar o projeto online era bem mais viável do que havíamos imaginado, começavam a existir as condições para fazer isso”, conta Silvia.

A Aventura de Construir participa de alguns grupos de trabalho entre ONGs no Brasil e no exterior, e com isso foi possível obter informações e ver experiências de processos de formação online. “Nós acreditávamos que a maior dificuldade seria a plataforma de ensino a distancia, mas entendemos que definir o escopo era a maior questão naquele momento. Antes o foco do projeto era na formalização desses microempreendedores. Mas no momento da pandemia, compreendemos que o maior desafio deles era a sustentabilidade desses empreendimentos. Com isso, focamos em dois pilares: o financeiro e as vendas, especialmente no marketing digital. O próximo passo foi fazer uma pesquisa com os microempreendedores para entender a aceitação deste projeto online. Os resultados foram bastante incentivadores e eles se mostraram engajados”, relata Silvia.

Formato do Realidade Empreendedora

A primeira edição do Realidade Empreendedora, realizada em 2020, focou em formações sobre geração de renda e sustentabilidade financeira em empreendimentos de baixa renda e em tutoriais para o uso das ferramentas digitais antes do início da jornada. Desta forma todos os participantes foram apoiados em ter as mesmas condições de acesso as atividades do projeto.

Ao todo, foram 12 semanas de capacitação online, com dois encontros por semana de 1h30 cada. Dentre os temas abordados, estavam:

  • Atitudes empreendedoras
  • Sustentabilidade Financeira
  • Desenvolvimento de parcerias
  • Tecnologia e inovação
  • Separação do orçamento doméstico e do empreendimento
  • Marketing
  • Mapeamento de mercado
  • Precificação
  • Fluxo de caixa
  • Reserva Financeira

Resultados da 1ª edição

De acordo com a pesquisa de avaliação de impacto socioambiental realizada ao finalizar o projeto, os resultados se mostraram bastante positivos para os microempreendedores que completaram o ciclo de formações:

  • O faturamento aumentou 40,33% do início ao final do projeto;
  • O lucro aumentou 39,40%;
  • Aumento no registro de gastos e recebíveis devido ao foco dado nas capacitações para registros financeiros.

Além destas questões financeiras, os participantes aprenderam novas habilidades. “Eles tiveram que aumentar a divulgação nas mídias sociais, devido à necessidade de crescimento nas vendas do e-commerce”, destaca Silvia. A proximidade com a tecnologia também foi outro benefício para os microempreendedores.

O projeto também avalia, ao final, algumas questões socioambientais. “Vimos que pelo menos 10 participantes reduziram o consumo de água e eletricidade. Outro dado é que cerca de 10 pessoas passaram a se sensibilizar mais com as necessidades sociais do bairro”, aponta Silvia.

Outro diferencial desta versão online da jornada foi a possibilidade de ter um envolvimento maior com os financiadores e uma aproximação deles com o público alvo. “O formato online, facilitou esta interação e a participação deles nas aulas. Com isso, nos proporcionaram uma aula inspiradora com Geraldo Rufino e Pedro Daltro, e para a finalização do projeto contamos com uma formação em planejamento de Aron Zylberman (diretor do Instituto SYN)”, lembra Silvia.

Silvia acredita também que o fato de terem gerado um ambiente seguro de aprendizagem permitiu que as pessoas se engajassem ainda mais no projeto. "As pessoas se sentiram livres para colocar suas dificuldades e necessidades. E esses pontos eram usados e discutidos para traçarmos um caminho juntos”, conta Silvia.

Nova edição do Realidade Empreendedora

Para 2021, será realizada uma nova edição do programa. As inscrições acontecem de 19 de abril a 14 de maio. As capacitações começarão em 17 de maio e durarão seis semanas, com encontros duas vezes por semana. Depois, há duas semanas voltadas para assessorias. Em seguida, eles voltam a alternar capacitações e assessorias. “Queremos que eles assimilem o conteúdo de forma gradual, tendo a possibilidade de aplicá-lo no dia a dia”, explica Silvia.

A expectativa do número de participantes também aumentou – no ano anterior, eram esperadas 30 pessoas e se formaram 39. Agora, espera-se que 50 empreendedores possam ganhar o certificado de participação.

A curva de aprendizado proporcionada pela primeira edição também permitiu alguns ajustes para a segunda edição do projeto. “Ano passado, entendemos que o online facilita a interação entre os beneficiários. Nos programas presenciais, sempre fizemos assessorias individuais personalizadas nos locais dos empreendimentos. Só que no formato online, há a possibilidade de ter mais um empreendedor online ao mesmo tempo. Com isso, conseguimos desenvolver uma metodologia para assessorias em grupo, que permite uma troca grande e profunda de experiências entre eles. Nas assessorias personalizadas e individuais, geralmente o empreendedor se sente mais à vontade para tratar assuntos mais sensíveis (temas contábeis e financeiros, por exemplo), mas o trabalho feito em grupo favorece capitalizar as experiências e aprendizados compartilhados. Uma excelente forma de ajudar o empreendedor é quando ele vê que aquilo que deseja realizar já é possível para outra pessoa. Por isso, consideramos tão enriquecedor este método”, justifica Silvia.

Outra mudança de conteúdo diz respeito à presença maior de aulas sobre tecnologia. “Quando explicaremos o que é fluxo de caixa, por exemplo, e levaremos um empreendedor para testemunhar o quanto foi importante para ele fazê-lo, também explicaremos que há ferramentas online para calcular o fluxo de caixa, como os aplicativos.  A ideia é tentar aproximar sempre mais estas pessoas das tecnologias para descobrir os benefícios e as melhoras que pode gerar nas próprias responsabilidades cotidianas. Nas “periferias” ainda tem um potencial que precisa ser conhecido e potencializado: queremos contribuir e aprender com isso! ”, finaliza Silvia.

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