Da vida para o negócio: trajetórias de reinvenção nas Lojas Colaborativas do ISYN 

O programa Junto & Misturado apresenta histórias de quem transformou desafios em caminhos de reinvenção, propósito e superação 

Para muitos empreendedores das Lojas Colaborativas do projeto Junto & Misturado, do ISYN, empreender foi, antes de tudo, uma resposta à vida, às suas rupturas, dores e recomeços. 

Esta é mais uma edição da série mensal que acompanha trajetórias de participantes do projeto. Em abril, dez histórias mostram como diferentes experiências pessoais — de mudanças de carreira a desafios emocionais e financeiros — deram origem a negócios que foram além da geração de renda, representando uma verdadeira reconstrução.

Entre tecidos, fios, cerâmica, aromas e criatividade, cada produto carrega algo invisível, mas essencial: a história de quem decidiu recomeçar.

É o caso de Loreta Maria Berne, 43 anos, que encontrou na reinvenção uma forma de empreender com propósito e consciência ambiental.

Loreta Maria Berne (foto divulgação)

“A T.Loren surgiu como marca há 3 anos, mas estou mais ativa com ela há 1 ano. Ela nasceu da minha vontade de popularizar o acesso a bolsas e acessórios de couro, algo que percebi ser impossível. Então, fui me reinventando e passei a usar diferentes tipos de matérias-primas, principalmente descartes da indústria têxtil, contribuindo para a economia circular e a sustentabilidade.”

Hoje, ela aposta em modelos como shoulder bags produzidas com materiais recicláveis. Para quem pensa em empreender, ela resume: “[Tenha] paciência e não desista.”

O fazer manual que virou caminho de vida

A trajetória de Márcia Helena Quintilhano mostra que o empreendedorismo pode ser uma construção ao longo da vida.

“Comecei com artesanato aos 15 anos, por meio de uma vizinha. Iniciei com pintura em tecido, depois passei para MDF e biscuit, mas me encontrei nos bordados à máquina, bonecas de pano e costura criativa. Isso tudo me motivou a vender, e não apenas presentear as pessoas. Participei de feiras antes de tentar [vender] em uma loja de shopping.”, conta.

Com o apoio da família, ela transformou o que antes era presente em negócio. “Faço meu artesanato com amor e alegria, para que o cliente receba o produto com toda essa energia.”

Já Marize de Jesus Zanato, que vende colares e brincos na loja do Tietê Plaza, representa a persistência de quem nunca abandonou um sonho. “Sempre sonhei em ter meu negócio.”, confessa. Hoje, ela produz brincos e colares em cerâmica plástica e resume sua filosofia de forma direta. “Acredite e nunca desista”.

Trabalho de Marize de Jesus Zanato (foto divulgação)

Entre propósito, bem-estar e novas possibilidades

Para Samara dos Santos Correia, empreender foi uma forma de transformar experiências pessoais em algo que pudesse impactar outras pessoas.

Trabalho de Samara dos Santos Correia (foto divulgação)

O Encantos da Lis nasceu em 2022 como fruto do Ateliê Lis de Ouro, hoje Núcleo Vida em Equilíbrio. Nosso propósito sempre foi levar para dentro da casa das pessoas o mesmo cuidado, acolhimento e bem-estar que elas sentiam ao entrar no nosso espaço terapêutico.”

Entre seus produtos estão aromas terapêuticos, escalda-pés e kits energéticos, pensados para promover equilíbrio no dia a dia. “Mais do que uma necessidade, foi um chamado para transformar conhecimento e sensibilidade em algo que pudesse tocar outras pessoas.”, comenta.  

Também guiada por propósito, Monica Liberalesso Silvia iniciou o ateliê ao lado da nora, transformando um hobby em negócio. “A criação conjunta nos inspirou a tornar o ateliê um negócio.” Hoje, elas produzem mandalas em pontilhismo e incensários, peças que, segundo ela, carregam significado além da estética. “Tudo que é feito com amor prospera naturalmente!”.

Reinvenção profissional e novos começos  

Para Patricia do Amaral Queiroz Prado, o artesanato surgiu como terapia e se transformou em projeto de vida.

Patricia do Amaral Queiroz Prado (foto divulgação)

Sempre gostei de acessórios artesanais e comecei fazendo por hobby e terapia. Em 2021, resolvi criar uma loja online pelo site Elo7. Em paralelo, estava trabalhando em uma empresa privada. No início de 2025, cansada da rotina de escritório, comecei a me dedicar mais aos projetos culturais com meu marido e ao meu projeto com artesanato.”

Hoje, ela cria joias em macramê com pedras naturais e reforça: “Viva o seu sonho!”.

A mesma lógica de reinvenção aparece na trajetória de Maria de Lourdes Môs, que descobriu o empreendedorismo quase por acaso. “Tudo começou quando minha filha pediu uma bolsa de crochê. Eu pensei: por que vou comprar se posso fazer?”

Maria de Lourdes Môs (foto divulgação)

O que era uma peça virou muitas e, depois, um negócio. “Empreender não é fácil, mas é gratificante. Dê um passo de cada vez e siga em frente.”, aconselha.

Tânia Trevizan Furtado, outra empreendedora das Lojas Colaborativas, encontrou no artesanato uma saída após a demissão, mesmo após décadas no mercado financeiro.

Tania Trevizan Furtado (foto divulgação)

Desde criança gosto de artesanato, porém passei 38 anos trabalhando no mercado financeiro. Já fazia trabalhos com costura, mas não vendia, pois não tinha tempo para me dedicar. Em 2015, eu já estava aposentada e fui demitida do trabalho, então resolvi empreender no artesanato para complementar a renda. Criei a marca Luz de Pano Ateliê, pois o tecido e a técnica que eu dominava foram a luz no fim do túnel no momento que eu estava vivendo. Há dois anos, me apaixonei por outra técnica artesanal e comecei a criar semijoias com pedras naturais, dando origem à marca Tania Furtado Acessórios.”

Hoje, produz bolsas e acessórios com pedras naturais e destaca um aprendizado essencial. “Capacitação é a palavra. Não basta saber produzir, é preciso saber administrar.”

Arte, memória e resistência  

A história de Nilcéia Ludkiewicz é marcada por transformação profunda. Após deixar uma carreira no setor de bares e restaurantes, encontrou no artesanato uma forma de recomeçar, que se tornou também a sua forma de expressão pessoal.

“Minhas economias estavam acabando e precisava dar um presente de aniversário a minha irmã. Fiz uma boneca de papel-machê com o que pude coletar em meu próprio lixo de descarte. E foi então que comecei a fazer artesanato como hobbie. Recebia elogios e foi o que me deu incentivo para criar e vender nas ruas de São Paulo as bonecas de papel-machê.” 

A partir daí, passou a criar bolsas e quadros com tecidos reciclados, incorporando memórias, cultura e identidade em suas peças. “Acredito que minha arte engloba minha memória, minha família, minha fé e minha caminhada pela vida.”

Com o tempo, seu trabalho ultrapassou o artesanato e ganhou reconhecimento artístico. “A arte salva!”, assegura ela.

Representatividade, caminhos e futuros possíveis  

Nathalia Regina Barboza Dias não faz parte das Lojas Colaborativas, mas também integra esta edição ao trazer uma perspectiva complementar sobre caminhos, oportunidades e construção de futuro. Isso porque ela está envolvida com o projeto de outra forma, por trabalhar no marketing do Tietê Plaza Shopping.

Nathalia Regina Barboza Dias (foto divulgação)

“Vejo meu papel como o de uma ponte. Embora meu trabalho principal seja no marketing do shopping, tenho a oportunidade de atuar junto ao instituto, que impacta muitos jovens, grande parte deles negros e em situação de vulnerabilidade. Para mim, isso significa usar esse espaço de conexão para ampliar vozes e mostrar caminhos possíveis.”

Para ela, ocupar espaços também significa abrir portas para outros. “Representatividade vai além de estar ocupando um lugar, é fazer com que esse lugar também abra portas para quem vem depois.”, diz.

Ao olhar para sua própria trajetória, reforça a importância de acreditar nos próprios caminhos, mesmo quando parecem fora do padrão. “Acreditem no caminho de vocês, mesmo quando ele parecer fora da curva.”

Ao reunir histórias tão diversas, a edição de abril da série reforça um ponto em comum: empreender, aqui, não é apenas uma escolha econômica, é uma forma de ressignificar experiências, transformar dores em movimento e construir novos começos.

Mais do que produtos, o que se vê nas Lojas Colaborativas do projeto Junto & Misturado são histórias vivas, sendo escritas todos os dias!