Histórias de agosto: 10 empreendedoras transformam talentos, sonhos e recomeços em novos negócios
Nova edição do Junto & Misturado reúne trajetórias que mostram diferentes caminhos para o empreendedorismo
O mês de agosto marca o início de uma nova turma do projeto Junto & Misturado Lojas Colaborativas, iniciativa do Instituto SYN (ISYN) voltada ao fortalecimento de microempreendedores por meio de capacitação, geração de renda e experiência prática no varejo. A partir da chegada das novas participantes, surgem também histórias que mostram diferentes caminhos para o empreendedorismo e para a construção de novos negócios.
Atualmente em seu oitavo ciclo, o projeto já impactou centenas de empreendedores e contribuiu para a geração de aproximadamente R$ 2 milhões em vendas. Nesse contexto, por meio da ocupação de espaços em shoppings centers administrados pela SYN, os participantes têm a oportunidade de comercializar seus produtos, desenvolver competências empreendedoras e ampliar sua visibilidade no mercado.
Nesta nova edição da série de histórias das Lojas Colaborativas Junto & Misturado, dez empreendedoras mostram como diferentes experiências podem dar origem a novos negócios. Assim, entre cerâmica, costura, concreto, aromas e plantas, cada trajetória carrega uma motivação própria.
Além de comercializarem seus produtos nos shoppings Cidade São Paulo, Tietê Plaza e Grand Plaza, elas encontram no projeto uma oportunidade de testar seus negócios, conquistar clientes e ampliar conhecimentos sobre o varejo.
Quando um talento vira oportunidade
Juliana Cintra começou a empreender com artesanato em 2024. A ideia surgiu depois que ela começou a produzir peças de cimento e percebeu que já tinha produtos suficientes para montar uma coleção própria.
A partir daí, passou a participar de feiras e, além disso, a divulgar seu trabalho. Hoje, cria peças decorativas de concreto com o objetivo de levar bem-estar e elegância aos ambientes.
Além disso, entre suas criações estão velas-pilares com cristais incrustados no concreto. Depois de queimadas, elas preservam a base artística da peça. Outro destaque é o Cubo São Paulo, inspirado em edifícios que fazem parte da paisagem da capital paulista.
“Um passo é melhor que nenhum. O caminho deve ser apreciado mais que a chegada”, aconselha Juliana, que participa da loja colaborativa do Shopping Cidade São Paulo.

Na mesma loja, também está Andreia de Oliveira Pinto da Silva. Sua trajetória no artesanato começou após uma demissão, em 2014.
Naquele momento, porém, ela decidiu ficar em casa para cuidar dos filhos. Paralelamente, passou a fazer cursos de artesanato e descobriu uma nova possibilidade profissional. Em 2016, abriu seu MEI e começou a participar de feiras e eventos.
Depois de experimentar diferentes segmentos, entretanto, encontrou nos brinquedos educativos e sensoriais um caminho que considera especial. Seus produtos contribuem para o desenvolvimento da coordenação motora fina, da criatividade e da percepção de formas e texturas das crianças.

A cerâmica também transformou um antigo hobby em negócio para Regiane Velasco Alonso Pessoa Mendez. Há cerca de três anos, ela começou a produzir peças para a própria casa.
Com o interesse crescente de amigos e familiares, Regiane passou, então, a comercializar suas criações. Depois disso, realizou um curso de joias em cerâmica e ampliou seu portfólio.
Hoje, produz utilitários e itens de decoração para o lar, além de colares, anéis e brincos. Para ela, a experiência no Tietê Plaza representa também uma oportunidade de aprendizado e troca com outras artesãs.
“Espero crescer, pois acredito na troca de conhecimentos com as outras artesãs”, conta.



Recomeços que ganham forma pelas mãos
Para Elisabete da Lapa Rocha Silva, o empreendedorismo surgiu após uma mudança profissional. Depois de duas décadas trabalhando na área da saúde e enfrentar um período de desemprego, ela decidiu estudar terapias integrativas.
Foi justamente nesse processo que se apaixonou pelo universo dos aromas e cristais. A partir dessa experiência, em 2024, iniciou a produção de velas e criou a marca Aromasbeth.
Entre os produtos estão a Vela Mar, uma das preferidas da empreendedora e dos clientes, além de peças decorativas produzidas com cristais. Agora, no Tietê Plaza, Elisabete espera, além disso, aprender, ampliar sua rede de contatos e aumentar as vendas.
“Estudar o negócio. Fazer cursos e começar com medo mesmo. No caminho, vai ajustando o que precisa”, recomenda.

A costura, por sua vez, foi responsável por uma grande transformação na vida de Liliane Aparecida de Santana Pinto.
Depois de 12 anos trabalhando na enfermagem, ela precisou se afastar por questões pessoais. Durante esse período, porém, começou a assistir a vídeos sobre costura. Com o tempo, o interesse cresceu e abriu espaço para uma nova profissão.
Mais tarde, após uma demissão, decidiu montar um ateliê em casa. A pandemia trouxe desafios, mas também oportunidades. Liliane começou produzindo máscaras e, posteriormente, ampliou sua atuação para bolsas, nécessaires, chaveiros e mochilas.
“Costurar me salvou. Me fez levantar de uma cama, sair de um quarto escuro, me deu vida novamente”, afirma.
No Tietê Plaza, ela pretende aprender, trocar experiências e contribuir com as demais empreendedoras do grupo.

Do complemento de renda ao próprio negócio
A história de Vanda Cristina da Silva começou com peças de concreto produzidas para decorar a própria casa. Em 2019, ela passou a enxergar no artesanato uma forma de complementar a renda.
Com o tempo, o trabalho ganhou espaço. Com isso, Vanda diversificou os produtos, ampliou sua presença em feiras e fortaleceu a divulgação nas redes sociais.
Como resultado, o artesanato tornou-se sua principal fonte de renda. No Grand Plaza, ela apresenta produtos como vasos de concreto com suculentas naturais e terrários com flores desidratadas.
“Comece com o que você tem, não espere o momento certo chegar!”, aconselha.

Angelita Correa também encontrou na cerâmica uma oportunidade para transformar um sonho em profissão. Na época, trabalhava em uma loja de sapatos no Shopping Iguatemi e mantinha a produção cerâmica como hobby.
Depois de ser desligada da empresa, decidiu investir no negócio. Há cerca de um ano, passou a se dedicar integralmente à criação de peças com forte apelo afetivo.
Suas canecas e xícaras com pires em formato de coração estão entre os principais produtos da marca. Segundo Angelita, as peças foram projetadas para transmitir “aquele aconchego e carinho de casa de vó”.
Por isso, agora, no Cidade São Paulo, ela busca divulgar a marca, conquistar encomendas e abrir novas possibilidades de crescimento.
“Se joga! Se você gosta muito do que faz, vai dar certo!”, afirma.

No Grand Plaza, Renata Eugenia de Brito Silva também chegou ao empreendedorismo de forma inesperada. Em 2018, ingressou em uma escola com o objetivo de aprender a confeccionar roupas.
Como o curso de bolsas era mais acessível, decidiu, então, experimentar. No entanto, o resultado foi diferente do planejado: ela se apaixonou pela produção de bolsas e nunca chegou a fazer o curso de roupas.
Atualmente, bolsas e nécessaires estão entre seus principais produtos. Renata trabalha com diferentes modelos, tamanhos e materiais, sempre buscando qualidade e acabamento.
“Se o teu sonho é empreender, não deixe passar. Não perca a oportunidade de realizar. Há dias difíceis, mas há dias de grandes conquistas que fazem você lembrar que valeu a pena”, diz.

Negócios que carregam identidade
A trajetória de Luciana de Souza com o artesanato começou ainda em 2010.
Depois de anos atuando no mercado formal, decidiu, então, dedicar-se integralmente à produção artesanal. Mais tarde, porém, retornou ao mercado de trabalho, mas manteve a atividade paralelamente.
Nesse período, em 2023, formou-se como terapeuta energética e criou a marca Santa Energia. A partir dos estudos em aromaterapia e cromoterapia, surgiram sprays aromáticos, óleos essenciais, velas e outros produtos.
Mais recentemente, em 2026, Luciana abriu seu CNPJ para expandir as vendas.
No Grand Plaza, ela pretende ampliar seus conhecimentos e aproveitar cada interação com os clientes para unir empreendedorismo e bem-estar.
“Arriscar não é loucura, é atitude!”, resume.

Já Renata Aparecida Alves Falcão encontrou nas plantas uma forma de reconstruir a própria trajetória ao lado do marido.
Há cinco anos, o casal enfrentava um momento emocional delicado quando descobriu nas plantas uma atividade que trouxe novos significados para a rotina.
Foi assim que tudo começou: Renata publicou uma foto em seu status e recebeu uma pergunta simples: quanto custava aquela planta? A partir dali, então, nasceu O Jardim dos Ogros.
A marca tem como carro-chefe a Lamplantinha, criada a partir de um recipiente em formato de lâmpada que abriga uma planta em seu interior. Além da Lamplantinha, os incensos naturais também conquistaram espaço entre os produtos.
Para Renata, o período no Grand Plaza será, principalmente, uma oportunidade de criar conexões, aprender e compartilhar experiências.
“Nossa vida começou depois dos 40. E foi com medo mesmo”, conta.

Dez histórias, muitos caminhos
As trajetórias desta edição mostram que não existe um único ponto de partida para quem decide empreender. Para alguns, o negócio nasceu de uma necessidade. Para outras, entretanto, surgiu a partir de um hobby, de uma mudança de carreira ou da vontade de transformar uma habilidade em fonte de renda.
Nesse sentido, no Junto & Misturado, essas histórias se encontram em um ambiente que combina capacitação, convivência e experiência prática de mercado. Ao longo de seis meses, as empreendedoras têm a oportunidade de testar produtos, fortalecer suas marcas, ampliar sua rede de contatos e desenvolver novas habilidades de gestão.
Por isso, mais do que um espaço de vendas, o projeto funciona como uma plataforma de aprendizagem e geração de renda. Cada participante chega com uma trajetória diferente, mas todas compartilham o mesmo objetivo: transformar talento em oportunidade e dar novos passos em seus negócios.