Do Aço ao Impacto Social: As lições de Aron Zylberman sobre Liderança e Ética

Como um executivo da indústria siderúrgica se tornou uma das vozes mais respeitadas do Investimento Social Privado no Brasil?

Nesta edição do programa Perspectiva, do Observatório do Terceiro Setor, nosso diretor executivo, Aron Zylberman, teve uma conversa franca com Erica Salles (Kika) e Alan Levi. Mais do que uma entrevista, o papo foi uma reflexão profunda sobre como comunicar impacto real em um mundo saturado de informações.

Se você busca entender a diferença entre discurso bonito e transformação social, este conteúdo é para você.

“Convivência não é Conivência”: A virada de chave

Aron relembra sua trajetória de 18 anos como engenheiro metalúrgico e o momento decisivo em que a ética falou mais alto. Ele narra como a omissão diante de problemas ambientais no passado moldou sua visão atual de responsabilidade:

“Nós temos um ‘Dr. Jekyll e Mr. Hyde’ dentro de nós. A sociedade evoluiu, mas o gap de desigualdade ainda é gigantesco. Eu não imaginava sair do setor de aço, mas a ética me levou a novos caminhos.”

O Conceito “Not in My Pocket” (Não no meu bolso)

Um dos pontos altos da entrevista é a crítica afiada sobre a hipocrisia social. Aron adapta o termo Not in My Backyard (Não no meu quintal) para “Not in My Pocket”:

  • Muitos defendem um país mais justo, mas se revoltam quando se fala em justiça tributária ou taxação de super-ricos.
  • Ele cita Peter Drucker para criticar a disparidade salarial absurda entre CEOs e a base das empresas: “O capitalismo gera riqueza de forma fantástica, mas é incompetente para distribuí-la.”

O Papel do Terceiro Setor e do ESG

Aron reforça que, embora o Terceiro Setor seja vital, ele sozinho não move o ponteiro da desigualdade no Brasil sem a atuação conjunta de Políticas Públicas e do Setor Privado. Para ele, equidade é simples: “Tratar o próximo com a dignidade que você quer ser tratado. Seja o faxineiro ou o CEO.”