Bonecas, afetos e identidade: conheça três empreendedoras da nova turma das Lojas Colaborativas
Luciene Flores, Rosana Damasio Alves e Iraci Martins compartilham mais do que o espaço nas lojas colaborativas: elas transformaram o trabalho manual em caminho profissional e pessoal. Com histórias que envolvem transições de carreira, maternidade, retomada de sonhos e valorização da representatividade, cada uma encontrou no artesanato — especialmente na criação de bonecas — uma forma de empreender com propósito. Seus negócios refletem não apenas técnica e criatividade, mas também afeto, memória e identidade.
Luciene Flores: da planilha à bonecaria, uma transição guiada pela memória afetiva
Luciene Flores de Oliveira, 50 anos, trocou a rotina administrativa por linhas, tecidos e moldes. Após mais de 25 anos trabalhando com finanças, ela decidiu em 2018 dedicar-se a um sonho antigo: fazer bonecas. A decisão veio acompanhada de um plano simples — seis meses para aprender e depois voltar ao mercado. Mas o que era provisório virou definitivo.
“Ao riscar os primeiros moldes nascia a bonequeira que sou hoje.”

Filha de costureira, Luciene cresceu ao som da máquina de costura. A infância entre tecidos e linhas se transformou em negócio com o nascimento do Luflores Ateliê, onde cria bonecas artesanais com identidade própria. As bonecas pernudas, com braços e pernas alongados, e as bonecas Tilda, com sapatos de couro, são os destaques da marca.
“Empreender não era um sonho, mas abrir um negócio aconteceu pela paixão pelas bonecas e pela receptividade do público.”
Na Loja Colaborativa do Shopping Cidade São Paulo, Luciene busca ampliar sua rede, aprimorar técnicas de vendas e fortalecer seus canais de divulgação.
📍 Instagram: @lufloresatelie
Rosana Damasio Alves: artesanato como extensão do cuidado e da representatividade
A história de Rosana Damasio Alves com o artesanato começa com a maternidade. Em 2006, após o nascimento da filha caçula, ela passou a produzir peças artesanais para uso próprio. Com o tempo, as encomendas começaram a chegar e o trabalho virou fonte de renda.
“Comecei a pegar encomenda de fraldas pintadas e crochê.”

Hoje, Rosana atua na Loja Colaborativa do Grand Plaza com foco em produtos infantis e bonecas de pano. O enxoval para bebês, com pintura em tecido, é pensado como um gesto de afeto. As bonecas artesanais, por sua vez, carregam uma proposta de diversidade e inclusão.
“Trabalhamos a diversidade e igualdade racial através de bonecas negras cheias de representatividade.”
A empreendedora vê na loja colaborativa uma oportunidade de aprender sobre gestão, atendimento presencial e compartilhamento de espaço.
“Expandir minha clientela, aprender a tratar com público presencial, aprender a gerir uma loja.”
📍 Instagram: @rohartbaby
Iraci Martins: costurando sonhos com técnica, memória e propósito
A trajetória de Iraci Martins, 58 anos, é marcada por pausas e retomadas. Ela costura desde a infância, mas deixou a prática de lado para sustentar os filhos. Quando pôde voltar, decidiu estudar moda, modelagem e criação para transformar o que sempre amou em profissão.
“Hoje faço o que amo: bonecas de pano.”

Iraci começou confeccionando roupas para bonecas, observando que muitas perdiam suas vestimentas com o uso. A partir daí, passou a desenhar e produzir suas próprias bonecas, com traços autorais e acabamento artesanal.
“Pra eu fazer o que faço hoje tive que estudar costura, modelagem e adaptação.”
Na Loja Colaborativa do Tietê Plaza, ela espera oferecer um bom atendimento e colaborar com outras empreendedoras. Iraci também destaca o impacto do projeto na valorização do trabalho artesanal.
📍 Instagram: @sonhodeicari